Por Luis Fernando
Um dos maiores desafios quando se fala em projetos arquitetônicos empresariais, é alinhar as expectativas de quem está passando o briefing com as demais áreas da empresa que vão utilizar as instalações depois de prontas.
Não é raro acontecer do projeto passar por várias etapas de ajustes, porém sempre é o ideal de que cada área passe suas necessidades laborais, assim como especificações técnicas quando envolvem o uso de equipamentos específicos e até mesmo tarefas que possam impactar em outras áreas, como por exemplo uma área que produza muito ruído e que poderia atrapalhar o trabalho em uma sala vizinha projetada para a realização de reuniões.
Quando se pensa em um projeto arquitetônico empresarial, existem inúmeras variáveis que serão trabalhadas, como por exemplo a adequação de espaços para equipes administrativas e de produção, envolvendo necessidade de acesso de máquinas e equipamentos de grande porte, ou a instalação de um amplo auditório para encontros periódicos de representantes de vendas.
O papel do escritório de projetos é se envolver com todas as áreas, para entender bem cada particularidade das tarefas mais específicas e que impactam no desenho final, levando em conta as atividades que serão desenvolvidas e a infraestrutura que será necessária para que o projeto atenda as necessidades, como por exemplo o correto dimensionamento da rede elétrica, hidráulica, sistema de telefonia e cabeamento de TI, iluminação, áreas para estoque, produção e até mesmo cozinha e/ou copa para a alimentação dos colaboradores, caso sejam servidas refeições no local.
Outro fator muito importante no alinhamento entre o projeto arquitetônico e as expectativas é o budget para a realização das obras, pois o uso de alguns materiais pode impactar o valor, ainda mais quando o projeto envolve a instalação de equipamentos especiais e que necessitem de uma base reforçada pois o piso do local não atende a especificação adequada, e isso vai custar mais do que a empresa imaginava antes de passar o briefing.
Uma questão que também deve ser bem alinhada entre o projeto, sua execução e as expectativas, é o prazo de execução e entrega da obra, ainda mais quando pode haver um atraso devido à problemas burocráticos ligados a documentação da empresa, como a falta de um determinado alvará, uma exigência de projeto complementar não prevista ou até mesmo uma licença ambiental, que são assuntos que fogem da alçada do escritório de engenharia e arquitetura, porque envolvem outras área da empresa na solução.
Outra ocorrência que pode impactar também no prazo e infelizmente é comum acontecer, é quando a capacidade de energia elétrica do local é menor do que a demanda que a empresa vai precisar e o fornecimento envolve solicitar um aumento de KVA´s, em um processo burocrático de solicitação e principalmente instalação física de mais fases, um procedimento muitas vezes demorado por parte da concessionária de energia elétrica, que pode não ter a capacidade necessária de cabeamento já instalada e terá que puxar a energia até o local.
O importante é que tanto o escritório de projetos como a empresa tenham um relacionamento aberto, onde o projeto preveja todos os problemas e soluções antecipadamente, mas haja um prazo com certa folga para cobrir possíveis atrasos que venham a ocorrer por conta de problemas com fornecedores e até condições climáticas adversas na execução de obras ao ar livre e chuvas constantes que venham a atingir o canteiro e ocasionar problemas.
Um bom projeto sempre vai levar em conta todas essas variáveis, buscando não só atingir como superar expectativas.

Sócio fundador da THS Engenharia, diretor de obras e planejamento, especialista no gerenciamento de todas as etapas de execução, acompanhando os processos presencialmente, focado nos resultados de cada entrega.
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